1. Coordenação motora oral e fala
Escovar os dentes exige movimentos coordenados dos lábios, língua, bochechas e mandíbula, os mesmos grupos musculares envolvidos na articulação dos sons da fala (ou fonação). Assim, o ato de escovar os dentes não apenas contribui para a higiene bucal, mas também estimula a propriocepção e a tonicidade muscular dessa região.
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A criança aprende a controlar a amplitude e a força dos movimentos orais, o que é essencial para a produção clara de fonemas.
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O uso da escova, principalmente quando a criança passa a segurar e movimentá-la sozinha, fortalece a coordenação motora fina e a lateralização, habilidades que também repercutem no controle da fala.
2. Estímulo sensorial e consciência oral
A escovação promove estímulos táteis e sensoriais importantes na cavidade oral. A escova, a textura das cerdas e o sabor do creme dental ajudam a criança a:
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Reconhecer as partes da boca (língua, dentes, gengiva, bochechas);
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Desenvolver consciência corporal e sensorial dessa região, algo essencial para a percepção e correção dos sons na fala;
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Aumentar o repertório de sensações orais, o que contribui para uma melhor percepção fonética e articulatória.
3. Hábitos orais e desenvolvimento funcional
O hábito de escovar os dentes também ajuda a substituir práticas orais inadequadas, como o uso prolongado de chupeta, mamadeira ou a sucção do dedo, que podem interferir no desenvolvimento dos músculos orofaciais e, consequentemente, atrasar a fala.
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A escovação regular favorece uma postura lingual adequada;
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Evita o desequilíbrio muscular que pode comprometer a pronúncia de certos fonemas, como /s/, /z/, /t/, /d/, /n/ e /l/.
4. Aspecto simbólico e de rotina
A escovação também se insere no processo de socialização e autonomia da criança, o que impacta o desenvolvimento linguístico mais amplo:
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Quando o adulto nomeia as partes da boca, descreve as ações (“vamos escovar os dentes de cima, agora os de baixo”) ou canta durante o processo, há estímulo linguístico e interacional;
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A escovação se torna, então, um momento de linguagem e aprendizagem simbólica, em que a criança associa gestos, palavras e significados.
5. Implicações para a fonoaudiologia e a educação
Fonoaudiólogos frequentemente utilizam a escovação ou movimentos similares como exercícios de estimulação motora oral. Educadores e cuidadores, por sua vez, podem transformar o momento da escovação em uma prática de linguagem, nomeando objetos, descrevendo ações e incentivando a fala.
Resumindo, a escovação dos dentes está diretamente relacionada ao desenvolvimento da fala, pois envolve os mesmos músculos usados na articulação dos sons, língua, lábios, bochechas e mandíbula. Ao escovar os dentes, especialmente quando a criança realiza o movimento sozinha, há estímulo da coordenação motora oral, da tonicidade e da consciência corporal da região da boca. Além disso, o contato com a escova e o creme dental favorece o reconhecimento sensorial das estruturas orais, essencial para a produção correta dos fonemas. O hábito também contribui para substituir práticas orais inadequadas, como chupeta e mamadeira, que podem prejudicar a fala. Por fim, o momento da escovação, quando acompanhado por fala, canto ou nomeação das ações, torna-se uma oportunidade de interação e aprendizagem linguística.