A linguagem não é apenas um meio para expressar pensamentos já prontos. Ela participa ativamente da forma como percebemos, organizamos e interpretamos o mundo. Em outras palavras, pensar e falar não são processos totalmente separados.
Um dos pontos centrais dessa discussão está na ideia de que as línguas oferecem molduras cognitivas. Cada idioma destaca certos aspectos da realidade e atenua outros. Isso significa que, ao nomear, classificar e descrever experiências, a linguagem orienta nossa atenção e influencia o que consideramos relevante.
Além disso, a linguagem estrutura o pensamento por meio de categorias. Conceitos como tempo, espaço, causalidade ou emoção não são apreendidos de maneira neutra: eles são mediados por sistemas linguísticos que organizam o mundo em classes e relações. Ao aprender uma língua, aprendemos também um modo particular de recortar a experiência.
As metáforas desempenham um papel fundamental nesse processo. Não são apenas recursos estilísticos, mas mecanismos cognitivos. Quando dizemos que “tempo é dinheiro” ou que estamos “avançando” em uma discussão, estamos usando metáforas que moldam nossa forma de raciocinar, avaliar e agir. Assim, metáforas não apenas refletem pensamentos: elas produzem modos de pensar.
Do ponto de vista discursivo, a linguagem também molda o pensamento ao inserir o sujeito em formações discursivas. Discursos sociais, institucionais e ideológicos delimitam o que pode ser dito, pensado e até sentido em determinados contextos. Pensar, nesse sentido, é sempre pensar a partir de posições discursivas historicamente situadas.
Por fim, a linguagem não determina de forma absoluta o pensamento, mas o condiciona, orienta e negocia. Ela abre possibilidades cognitivas ao mesmo tempo que impõe limites. Pensar é, em grande medida, dialogar com as palavras, os sentidos e os discursos que nos atravessam.
Assim, compreender como a linguagem molda o pensamento é reconhecer que pensar é uma prática linguística, histórica e social, e não um processo puramente interno ou individual.